SÃO LUÍS É A 3ª CAPITAL MAIS POBRE ,SEGUNDO RELATÓRIO DA FGV

Um estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Atlas do Bolso dos Brasileiros, realizado pelo Centro de Políticas Sociais da entidade, com base nos micro-dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmou que, hoje, São Luís é a capital brasileira com o terceiro maior percentual de pessoas consideradas pobres (população com renda familiar bruta de até R$ 768,00, independentemente do número de pessoas que dependem dessa renda). Pelos dados da FGV, 17,99% dos moradores de São Luís, até o fim de 2008, estavam na chamada Classe E, ou seja, 179.337 pessoas. Essa é a primeira vez que a FGV relacionou dados das capitais de todo o Brasil no Atlas do Bolso dos Brasileiros.
Entre as capitais, apenas Maceió, capital de Alagoas, e Recife, capital pernambucana, têm número maior de pobres. As capitais com o menor número de pessoas nessa situação são Goiânia, Curitiba e Florianópolis. Na capital de Santa Catarina, apenas 2,36% da sua população vive com renda familiar bruta de R$ 768,00.
Pobreza
Os números da FGV também mostram que, de 179 mil ludovicenses que vivem na linha da pobreza, ou abaixo dela, 26,93%, ou 46 mil pessoas, conseguem sobreviver por meios próprios. Os demais tiram o sustento diário de programas do Governo Federal, como Bolsa Família ou são sustentados pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INSS). Somente o Bolsa Família beneficia 89 mil pessoas na capital maranhense. “Estes números indicam que São Luís não tem uma estrutura econômica capaz de gerar riqueza a estas pessoas, que estão à margem do progresso econômico”, afirmou o economista José Reinaldo Júnior.
“Este [grande] número de pessoas pobres pode ser explicado pela constituição do mercado de trabalho e pela nossa estrutura econômica. Quais são os principais empregadores na capital? construção civil, comércio, serviços e administração pública. Destes, apenas os servidores públicos têm melhor remuneração. O restante tem remuneração equiparada ao nível da Classe E”, complementou o diretor do mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Marcelo Carneiro, ao analisar os números da FGV a pedido de O Estado.
Sem renda
Das 179 mil pessoas da classe E, o estudo identificou que pelo menos 13 mil não têm renda nenhuma e vivem exclusivamente da ajuda alheia. É nessa faixa de renda que está incluído Carlos Silva. Ele mora, com mais sete pessoas, embaixo de uma armação de paus e lona, no Aterro do Bacanga, nas proximidades do Terminal de Integração da Praia Grande. Quarta-feira, dia 7, seu almoço seria apenas arroz, feijão e peixe. O arroz e feijão ele conseguiu com a ajuda de pessoas que conheceu no Portinho e no Desterro. O peixe, ele pescou do Rio Bacanga. “Eu não tenho dinheiro. O que consigo é por doações. Morava com meus pais, mas preferi a independência. Não me arrependo”, disse Carlos Silva.
Apesar do grande número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza em São Luís, este quantitativo já foi maior em outros anos. Em 1996, 22,78% da população de São Luís era considerada pobre, mas o ápice da pobreza ludovicense ocorreu no início da década atual. Pelos dados da Fundação Getúlio Vargas, em 2002, 40,93% da população de São Luís vivia abaixo da linha da pobreza; no ano seguinte, 43,78%. Mas, desde 2004, os números caíram até atingir 19,78% em 2007 e, no ano passado, 17,99%. Em população bruta, significa que, pelo menos 14 mil pessoas entre 2007 e 2008 deixaram de ser economicamente pobres.
Mas esta não é uma tendência tipicamente de São Luís, como alertou o professor Marcelo Néri, no estudo da Fundação Getúlio Vargas. “Não há na história brasileira, estatisticamente documentada, nada similar à redução de desigualdade observada desde 2001”, descreveu Néri. “É consenso entre os analistas de mercado de trabalho que existem três fatores que explicam a diminuição do universo de pobres. Primeiro, a recuperação do poder de compra do salário mínimo. O outro aspecto é o aumento da formalização de empregos. E o terceiro são as políticas de transferência de renda”, analisou o sociólogo Marcelo Carneiro.

Comentários